O Projeto

O que é uma Lista Vermelha?

A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN Red List of Threatened Species TM) é um projeto desenvolvido pelo Programa Global das Espécies da UICN (IUCN Global Species Programme) e pela Comissão da Sobrevivência das Espécies da UICN (IUCN Species Survival Commission), em colaboração com diversos parceiros institucionais, com o objetivo de disponibilizar informações sobre a distribuição, as tendências e as ameaças à conservação das espécies e potenciar o desenvolvimento de ações de conservação da biodiversidade. Neste objetivo engloba-se aquele que é frequentemente considerado como o papel “tradicional” da Lista Vermelha da UICN, nomeadamente, a identificação das espécies em risco de extinção.

A Lista Vermelha da UICN é amplamente reconhecida como a abordagem mais abrangente e objetiva para avaliação do estado de conservação de espécies vegetais e animais à escala global. A utilização de uma abordagem cientificamente rigorosa, apoiada na aplicação de um sistema de critérios e categorias para determinar o risco de extinção das espécies, que pode ser aplicável a todos os taxa, tornou-se uma referência mundial e desempenha um papel cada vez mais proeminente na orientação das ações de conservação de governos, organizações não governamentais e instituições científicas. Este sistema de critérios e categorias (consultável aqui) tem sido afinado através de revisões efetuadas ao longo das últimas décadas. A padronização deste sistema permite que, para qualquer taxon, possam ser compiladas informações sobre o seu estado de conservação e a sua distribuição que sirvam de base à tomada de decisões conscientes sobre a necessidade da sua conservação, quer a nível global, quer a nível local.

A Lista Vermelha da UICN é apoiada por ferramentas de gestão da informação, nomeadamente por uma base de dados centralizada (Species Information System) que facilita a recolha, a gestão e o processamento de dados, desde as fases preliminares de compilação até à publicação oficial das avaliações. As avaliações publicadas e as suas revisões periódicas são gratuitamente disponibilizadas na base de dados do portal da Lista Vermelha da UICN (consultável aqui).

A metodologia da Lista Vermelha da UICN pode e tem sido largamente adotada para avaliação do risco de ameaça das espécies a nível regional, termo que inclui áreas geográficas específicas, como países ou regiões de países. Nesse sentido, e de modo a tornar coerente a aplicação das categorias da Lista Vermelha da UICN a nível regional, foi criado um grupo de trabalho específico (National Red List Working Group) que é responsável pelo desenvolvimento e pela aprovação de um documento de orientações para as avaliações regionais (consultável aqui). Essas orientações constituem a base metodológica para as avaliações efetuadas no âmbito do projeto ‘Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental’.

As Categorias da UICN

De acordo com a IUCN (2012), existem 11 categorias que podem ser utilizadas na avaliação do risco de extinção das espécies a nível regional, como é o caso da avaliação efetuada no âmbito do projeto ‘Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental’:

Extinta, EX (Extinct)

Uma espécie considera-se Extinta quando não restam quaisquer dúvidas de que o último indivíduo dessa espécie morreu.

Uma espécie presume-se Extinta quando falharam todas as tentativas exaustivas para encontrar um indivíduo no seu habitat, conhecido e/ou expectável, em períodos apropriados (do dia, da estação e do ano), realizadas em toda a sua área de distribuição histórica. As prospeções devem ser feitas durante um período de tempo adequado ao ciclo de vida e à forma biológica da espécie em questão.

 

Extinta na Natureza, EW (Extinct in the Wild)

Uma espécie considera-se Extinta na Natureza quando é dada como sobrevivendo apenas em cultivo, cativeiro ou como uma população (ou populações) naturalizada(s) fora da sua anterior área de distribuição.

Uma espécie presume-se Extinta na Natureza quando falharam todas as tentativas exaustivas para encontrar um indivíduo no seu habitat, conhecido e/ou expectável, em períodos apropriados (do dia, da estação e do ano), realizadas em toda a sua área de distribuição histórica. As prospeções devem ser feitas durante um período de tempo adequado ao ciclo de vida e à forma biológica da espécie em questão.

 

Regionalmente Extinta, RE (Regionally Extinct)

Uma espécie considera-se Regionalmente Extinta quando não existe dúvida plausível de que o último indivíduo de uma região, potencialmente capaz de se reproduzir, morreu ou desapareceu da natureza nessa mesma região, ou quando, no caso de uma espécie anteriormente considerada como visitante, o último indivíduo morreu ou desapareceu da natureza na região em análise. O estabelecimento de uma data-limite para se considerar uma espécie Regionalmente Extinta é deixado ao critério da autoridade responsável pela Lista Vermelha regional, mas essa data-limite não deverá ser anterior a 1500 DC.

 

Criticamente Em Perigo, CR (Critically Endangered)

Uma espécie considera-se Criticamente Em Perigo quando as melhores evidências disponíveis indicam que se cumpre qualquer um dos critérios A a E para a categoria ‘Criticamente Em Perigo’, pelo que se considera como enfrentando um risco de extinção na natureza extremamente elevado.

 

Em Perigo, EN (Endangered)

Uma espécie considera-se Em Perigo quando as melhores evidências disponíveis indicam que se cumpre qualquer um dos critérios A a E para a categoria ‘Em Perigo’, pelo que se considera como enfrentando um risco de extinção na natureza muito elevado.

 

Vulnerável, VU (Vulnerable)

Uma espécie considera-se Vulnerável quando as melhores evidências disponíveis indicam que se cumpre qualquer um dos critérios A a E para a categoria ‘Vulnerável’, pelo que se considera como enfrentando um risco de extinção na natureza elevado.

 

Quase Ameaçada, NT (Near Threatened)

Uma espécie considera-se Quase Ameaçada quando, tendo sido avaliada pelos critérios da UICN, não se qualifica atualmente como Criticamente Em Perigo, Em Perigo ou Vulnerável, sendo no entanto provável que lhe venha a ser atribuída uma categoria de ameaça num futuro próximo.

Pouco Preocupante, LC (Least Concern)

Uma espécie considera-se Pouco Preocupante quando foi avaliada pelos critérios da UICN e não se qualifica como Criticamente Em Perigo, Em Perigo, Vulnerável ou Quase Ameaçada. As espécies de distribuição ampla e abundantes são incluídas nesta categoria.

Informação Insuficiente, DD (Data Deficient)

Uma espécie considera-se com Informação Insuficiente quando não existe informação adequada e suficiente para fazer uma avaliação direta ou indireta do seu risco de extinção, com base na sua distribuição e/ou no estado da sua população. Uma espécie nesta categoria pode até estar muito estudada e a sua biologia ser bem conhecida, mas faltarem dados adequados sobre a sua distribuição ou abundância. Não constitui por isso uma categoria de ameaça. Classificar uma espécie nesta categoria demonstra que é necessária mais informação e que se reconhece que uma investigação futura poderá vir a indicar como mais apropriada uma categoria de ameaça. É importante que seja feito uso de toda a informação disponível sobre a espécie em análise e que se seja muito cauteloso na escolha entre ‘Informação Insuficiente’ e uma categoria de ameaça. Pode justificar-se a atribuição de uma categoria de ameaça a uma espécie nos casos em que se suspeita de que a sua área de distribuição é relativamente circunscrita e em que decorreu um período de tempo considerável desde a última observação de um indivíduo dessa espécie.

Não Aplicável, NA (Not Applicable)

Categoria a aplicar a qualquer espécie considerada não elegível para avaliação a nível regional. Os critérios para a elegibilidade das espécies a avaliar numa avaliação regional são definidos a priori pela autoridade responsável pela Lista Vermelha regional.

A categoria Não Aplicável é atribuída a uma espécie quando, na região-alvo da avaliação, a espécie não ocorre como uma população selvagem, ou quando não está dentro dos limites da sua área de distribuição natural, ou ainda quando é uma espécie de ocorrência errante na região.

Não Avaliada, NE (Not Evaluated)

Uma espécie considera-se Não Avaliada quando ainda não foi avaliada pelos critérios da UICN.

A Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental

O projeto ‘Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental’ é um projeto científico de âmbito nacional coordenado pela Sociedade Portuguesa de Botânica (SPBotânica) e pela Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação – PHYTOS, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P. (ICNF), e cofinanciado pelo Fundo de Coesão através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR; projeto com o código POSEUR-03-2215-FC-000013) e pelo Fundo Ambiental, sendo a SPBotânica a entidade beneficiária desses fundos e a entidade responsável pela execução do projeto.

O projeto teve início a 7 de outubro de 2016 e a sua data de término, que estava inicialmente prevista para 30 de setembro de 2018, foi adiada, num primeiro momento, para 6 de junho de 2019, e num segundo momento, para 15 de novembro de 2019, na sequência da aprovação de dois pedidos de reprogramação temporal e financeira do projeto submetidos pela SPBotânica às entidades cofinanciadoras.

Objetivos

O projeto vem colmatar lacunas de quase 30 anos no conhecimento do estado de conservação das plantas vasculares que ocorrem em Portugal e tem três objetivos principais:

  1. Melhoria do conhecimento da distribuição das espécies de flora vascular autóctones de Portugal continental, em particular das espécies RELAPE (Raras, Endémicas, Localizadas, Ameaçadas ou em Perigo de Extinção) e das espécies constantes dos Anexos II, IV e V da Directiva Habitats;
  2. Avaliação do risco de extinção das espécies de flora vascular autóctones de Portugal continental, através da aplicação dos critérios e categorias da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN Red List of Threatened Species TM), em particular das espécies RELAPE e das espécies constantes dos Anexos II, IV e V da Directiva Habitats;
  3. Elaboração e publicação da Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, em suportes papel e digital, o documento estratégico que servirá de base à definição de prioridades de conservação da flora e das políticas de gestão e conservação da biodiversidade a nível nacional durante as próximas décadas.

O projeto culminará na realização de uma conferência pública de apresentação dos resultados finais, na qual será apresentada a publicação final em livro.

Área de intervenção

A área de intervenção do projeto abrange todo o território de Portugal continental, com especial incidência:

  • nos 61 Sítios de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 (SIC-RN2000);
  • nas áreas do território com claro défice de informação; e
  • nas áreas do território que demonstraram ter elevado potencial para ocorrência de espécies RELAPE à luz do conhecimento atual.

Ações

A concretização do projeto compreende a realização de nove ações:

  • Ação 1 – Coordenação geral do projeto
  • Ação 2 – Coordenação científica e técnica
  • Ação 3 – Recolha de dados em Herbários e bibliografia
  • Ação 4 – Recolha de dados através de prospeção de campo
  • Ação 5 – Desenvolvimento do portal de gestão de dados do projeto
  • Ação 6 – Publicação da Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental
  • Ação 7 – Desenvolvimento do portal público do projeto www.listavermelha-flora.pt
  • Ação 8 – Promoção e divulgação do projeto
  • Ação 9 – Conferência pública de apresentação dos resultados finais.

Resultados

Explore os resultados do projeto no separador Flora.

Histórico do Projeto

(Brevemente)

Financiamento:
Coordenação:      Parceria:  Cofinanciamento: